Publicado em

De que cor pinto os meus dias?

 

A lenda conta que as diferentes cores da lagoa das Sete Cidades se devem às lágrimas derramadas por uma princesa de olhos azuis e por um pastor de olhos verdes. Amavam-se, mas o mundo não encorajava esse amor. Numa tarde de profunda tristeza, choraram tanto que as suas lágrimas formaram a famosa lagoa. As lágrimas da princesa formaram a zona azul, enquanto a fração verde representa as lágrimas do pastor.
Não obstante o encanto desta lenda, a ecologia desvenda o mistério: as diferentes cores da lagoa são o resultado de diferentes níveis de profundidade e do reflexo das margens circundantes.
Nós, seres humanos, também somos o resultado da nossa profundidade ou superficialidade.
Às vezes, ambicionamos de tal forma o extraordinário que descuidamos a simplicidade dos nossos dias. Contudo, é no nosso quotidiano que conseguimos perceber o quão profundo ou superficial pode ser o nosso olhar. Será que paro para pensar na atitude que adoto perante a minha vida?
Somos o reflexo dos nossos valores, vincados ou voláteis. Somos fruto dos nossos planos, decisões e compromissos, direcionados por nós ou, então, camuflados pelas vozes do mundo.
Quer seja um ‘não’ redondo ao nosso trabalho, uma discussão com os filhos, ou uma proposta de emprego que nos desinstala: tudo nos pode desafiar e impulsionar ou, pelo contrário, ameaçar e bloquear. Dita a nossa vontade que pode ser perseverante ou inconstante.
Mais ou menos; melhor ou pior, todos os dias são novas oportunidades para refletirmos e recomeçarmos naquilo que nos define. Já parou para pensar: de que tons decide pintar a sua vida?

Texto de Rita Nunes, Psicóloga Escolar e da Educação
Investigadora no Grupo Universitário de Investigação em Autorregulação, Escola de Psicologia, Universidade do Minho
Colaboradora Edy&Co

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *